Temos a sobrevivência como instinto. É algo inerente da carne, por isso o ser humano nasce egoísta e mais preocupado consigo mesmo. É um dispositivo da natureza para nos manter neste mundo. Quando nos vemos acuados, nos defendemos. Independente de ser inocente ou culpado. É instinto. E é isso que torna a crítica ineficaz. Quando você critica ou acusa uma pessoa, o primeiro impulso é de retração e defesa. A pessoa busca meios de se justificar para se livrar. Quando você aponta o dedo e põe uma pessoa na parede, geralmente ela responde com frases do tipo: “Não é bem assim!” ou “espera aí, eu tive os meus motivos para fazer isso”. Em suma num primeiro momento o ser humano não aceita a crítica e quase sempre se ofende com ela. E por mais que não se importe com a opinião alheia, a crítica sempre incomoda.
Estudos mostram que criminosos de crimes hediondos não se julgam pessoas ruins, na sua maioria quando questionados sempre têm bons motivos para a sua conduta. E dizem: “Não sou esse monstro que estão falando aí”. Essas pessoas, não importa a barbárie que tenham cometido, sempre se defendem. Contudo o que leva uma pessoa negar sua culpa, mesmo que seja culpada quando acusada de algo, é justamente esse instinto de sobrevivência. E isso é básico ao ser humano.
Claro que isso tudo é num primeiro momento, é um impulso. Mas como somos seres racionais, num segundo momento perdemos o impulso e analisamos os fatos. Tomamos partido e escolhemos se vamos reconhecer ou negar, se confessamos ou se nos defendemos, se falamos a verdade ou mentimos. E é isso que nos difere dos animais.
Agora, por outro lado, o que leva uma pessoa a reconhecer seus erros e refletir sobre eles? A humildade. A humildade ao contrário de que muitos pensam não está ligada a condições financeiras. Só porque é pobre, é humilde. Nada haver uma coisa com a outra. A humildade é uma evolução positiva do caráter humano, quando ele é formado. E está ligada a obedecer, aceitar e a uma consciência maior de si em relação ao todo resto. A pessoa humilde está mais desapegada ao seu próprio eu.
Já o orgulho é uma evolução negativa do caráter humano, não é mais um instinto básico, e está ligado a prepotência e a consciência do seu eu como razão absoluta. É uma deformidade de caráter, pois é do orgulho que nascem e se desenvolvem a truculência, o preconceito e a intolerância.
Tudo isso vem antes da espiritualidade, e muitas vezes continua depois dela, porém é o que vai testificar sua genuinidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário